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empresário de empresa em crise

Momento de Crise

É quase inacreditável que tenhamos chegado aonde chegamos. Parecia que o fundo do poço já havia sido atingido, mas a verdade é que ainda não dá nem para vê-lo. A crise incomoda todo mundo. Incomoda provavelmente você, neste exato momento em que lê este post. A crise é perversa, não escolhe suas presas. Pessoas ficam sem emprego, independentemente de sua crença, cor ou classe social. Empresas fecham, independentemente de serem fruto de árduo esforço, de representarem boas ideias, de beneficiarem mais o menos a sociedade. Governos se apertam, faltam recursos, investe-se menos, emite-se mais títulos para fazer frente a despesas correntes. O consumidor compra menos, receoso de comprometer a sua renda que está governada por um futuro incerto, ou não compra quase nada porque simplesmente não possui mais renda, vive de favores. Não há crédito porque os bancos preferem emprestar dinheiro para os governos, comprando seus títulos. Se o banco não empresta, menos ainda se compra, menos emprego é gerado, menos se produz. Entra então a recessão. Aí o resto é o que vemos todos os dias no noticiário.

Entretanto, em meio de tanta coisa negativa, o que podemos extrair de positivo nestes momentos de crise? Como sua empresa pode, se não se beneficiar, ao menos não sucumbir às péssimas condições climáticas que nos rodeiam? É fato que algumas empresas irão a pique, mas tanto quanto isto é fato, sabemos que outras tantas vão crescer ou se manter razoavelmente estabilizadas nesta travessia. Tenho observado muitas empresas fechando, mas também vejo muitas empresas apenas “esperando” para ver se melhora, enquanto vê seu passivo em dívidas crescer.

Como sair bem da CRISE?

Muitos parecem ter este resposta pronta, mas acredite-me, não é assim tão simples. Posso aqui te enumerar “5 soluções para escapar da crise”, “10 coisas que sua empresa precisa fazer para lucrar mais”, “7 hábitos das startups que estão surfando na crise”, mas a verdade é que seriam soluções fáceis e óbvias que provavelmente nada teriam a ver com a sua realidade. Sair da crise requer persistência e resiliência, análise, tomar risco e principalmente muito suor. Mas a boa notícia é que na maioria dos negócios que visito há muitas oportunidades e muitos pontos que precisam atenção apenas com uma análise rápida.

Visitei um restaurante que estava em uma curva de declínio em seu movimento. O cardápio até era ousado, paellas. O preparo era visível a todos pois ocupava uma parte da vitrine para a rua. O fluxo era um pouco confuso por exigir pagamento antecipado, algo mais adequado a uma casa de lanches. A iluminação que incidia diretamente sobre o tacho de preparo da paella era pobre e distorcia a cor dos alimentos. Havia muita coisa que, no mínimo, não contribuíam para um bom resultado da operação. Eu volto a este tema mais a frente.

Ocorre que em geral uma empresa pequena que esteja em um ambiente de negócios como o atual não dispõe de um capital acumulado para executar investimentos de melhoria que podem ser necessários para conferir força e competitividade ao negócio. Isto vem do fato de que é comum enxergarmos primeiro coisas de envergadura, caras, que precisam de algum modo ser feitas e que por alguma razão tendemos a achar que salvaria a empresa de todos os problemas. Ora, esta panaceia generalizada frequentemente não leva a empresa muito longe. Grande parte de grandes projetos que vi em grandes empresas enquanto eu atuava como executivo nestas, e estamos falando de projetos que custavam alguns milhões, executados por consultorias de renome como Accenture, Bain & Co, At Kearney, etc, eram projetos que exigiam mais mudança de comportamento ou de fluxo de trabalho dentro das empresas do que de fato investimento pesado em algo como uma nova máquina, nova fábrica, nova frota, ou coisas do tipo.

O que pretendo afirmar aqui é que com pouco ou nenhum investimento, em geral é possível promover mudanças necessárias que terão um efeito bastante positivo na sua empresa. Sair da crise Às vezes é como aquela piada antiga de dois executivos que estavam em um avião que caiu nas savanas africanas. Após sobreviverem à queda, ouvem rugidos de leões e começam a correr. Um deles entretanto para e começa a correr de volta para os destroços do avião para buscar um par de tênis. O outro pergunta qual a razão para buscar o par de tênis se eles não farão ele correr mais que o leão. ao que o outro responde: não preciso correr mais que o leão, preciso correr mais que você.

Voltando ao restaurante, confesso que me atrevi a sentar em uma mesa com o proprietário e simplesmente falar o que eu pensava que poderia ser mudado. Ele até acenou com certa simpatia, mas algum tempo depois passei novamente e percebi que nada fora feito. Alterações simples, nada mais. Um ano depois passei novamente e, infelizmente estava fechado.

Pequenas coisas

Portanto acredito que seja um bom começo. Não subestime o poder de pequenas transformações diárias para sair fortalecido da crise. Se você tem capital para mudanças maiores, ainda assim não perca de vista as menores pois são elas que irão enriquecer a jornada de recuperação do seu negócio.

Já vi um negócio ter muita dificuldade de decolar porque simplesmente havia um frasco de detergente e uma esponja de lavar louça fora do lugar. Clientes chegavam e iam percorrendo os olhos através de uma decoração primorosa e quase se convenciam de que o preço que pagariam naquele brigadeiro estava justo, até o momento em que seus olhos encontravam aquele frasco totalmente deslocado, que quebrava totalmente a magia proposta pela imersão naquele espaço. A resolução do problema teve um custo baixíssimo, de realocação de um local de lavagem de utensílios. Nada de investir milhares de reais, nada de projetos controversos e que demandem capital. Puro design de serviços.

Se você se identifica, mãos à obra. Encontre os pequenos tesouros escondidos na sua realidade do dia-a-dia e não tenha medo de mudar.

Boa sorte.

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